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Da praia ao píer

Olá pessoal! Tudo bem por aí? Por aqui tudo beleza!

Tivemos a sorte de curtir uma praia na companhia de amigos queridos nessas férias e essa viagem teve um episódio com um gostinho inédito e muito especial! É sobre esse sabor que eu vou falar com vocês nesse texto.

Antes de começar o causo, vou contar uma novidade muito bacana: montei um espaço lindo para receber minhas clientes! Nossos momentos de partilha agora tem um lugar exclusivo para acontecer! Legal demais, não é? Estou muito contente com essa conquista e convido vocês para conhecer o nosso cantinho, tomar um café e bater um bom papo! O espaço de Nutrição do Ser fica na Rua José Felix de Araújo, n°20, sala 202, no bairro Castelo em Belo Horizonte!

Pois bem, eu estava contando que a viagem desse janeiro teve um momento bem significativo para mim, com um gostinho diferente! Foi uma experiência de coragem, de capacidade, de conexão, de colheita e de parceria. Resolvi trazer essas história para vocês por que ela fala de exercício intuitivo e do sentido que a atividade física pode ter na nossa vida. Mas pode ficar sussa que eu vou explicar melhor.

A alimentação intuitiva é regida por 10 princípios, o de número 9 é “Fazer exercício e sentir a diferença”. A proposta deste princípio é levar o foco do exercício para a saúde e bem-estar e considerar que a atividade física vai muito além da perda de peso e que pode ser pouco saudável quando as pessoas a fazem de forma compensatória, punitiva ou obrigatória. Existem muitas formas de se exercitar. É importante procurarmos atividades físicas que gostemos de fazer e nos conectarmos com o nosso próprio corpo, com a energia que passamos a ter, com o sentir os movimentos, os músculos, a sensação de estar vivo, de aumentar a temperatura do corpo, a transpiração, a respiração… Perceber o prazer que se pode ter ao se exercitar, ao se manter ativa. Movimentar-se é tão essencial e intuitivo quanto comer. É saudável, sustentável e inteligente escolher o exercício para se sentir bem. Nossas maiores motivações são as razões internas e a percepção própria dos benefícios. O exercício faz com que nos sintamos melhor conosco e isso pode ser muito notável, nítido, se estivermos atentos para nos perceber.

Até os 35 anos de idade eu não sabia nadar. Inclusive, sempre fiz piadas a esse respeito, me declarava a melhor na modalidade “nado pedra”, “machado sem cabo” ou coisa parecida. É gostoso lembrar que “cachorrinho” eu sempre soube nadar, rs. Isso me rendeu boas investidas e certas aventuras, no entanto, apesar de gostar, a água para mim não era um ambiente muito seguro e eu não curtia com confiança, não relaxava. Eu tinha medo de me afogar, de passar perrengue e ainda dar trabalho para as pessoas.

Meu marido Diego, há 2 anos guinou sua vida do sedentarismo para o esporte com uma assertividade tão grande que chegou até a me fazer ciúme! Ele voltou a nadar e dessa vez ele mergulhou de cabeça. Até inveja eu senti (e foi punk assumir), mas com o passar do tempo fui observando com mais atenção a magnitude da atividade física na vida dele e aprendi bastante com isso. Para o Diego esporte é história, família, infância, amizade e transposição de limites. Para ele o esporte transcende o físico, é parte forte do exemplo que ele tem em casa e da parceria dele com o pai. Obviamente na minha vida isso acontece de maneira diferente. Eu não carrego no peito esse significado todo, mas eu estava disposta a procurar e haveria de encontrar a minha razão.

Eu venho numa busca incessante por autoconhecimento nesses últimos 5 anos. A jornada tem sido edificante, o caminho muito rico, as descobertas fascinantes. Encontrei muito sentido pessoal e profissional na alimentação consciente e intuitiva, descortinei minhas fraquezas ao longo do meu processo. Num dado momento desse percurso, parei para me perceber e me vi sem a força dos braços, eu estava fraca e não conseguia mais segurar a minha filha no colo. Fiquei muito preocupada e me dei conta que eu simplesmente havia queimado todos os meus músculos em uma relação disfuncional com a comida que se caracterizava por inapetência de dia e por compulsão alimentar de noite. Sim, nutris também podem passar por dificuldades alimentares! Eu tive sorte, pois reconheci o problema já com a terapia nutricional em curso, já no tratamento da minha relação com a comida.

Nessa perspectiva conheci também o conceito de exercício intuitivo e sempre vi muita coerência e muito potencial nesse olhar integrativo sobre a atividade física. Eu sabia que precisava me colocar em movimento para ter a força do meu corpo de volta e precisava de uma estratégia sustentável de mudança para a vida. Também buscava uma maneira de sair do sedentarismo, mas teria que ser uma que mobilizasse o meu prazer e a minha satisfação e não somente meu senso de obrigação. Isso porque se for só por obrigação para mim não funciona. Eu buscava uma forma de ser mais ativa que contivesse a minha motivação pessoal, que não violasse a minha vontade, que contemplasse a minha percepção do mundo e de mim.

Difícil? Difícil. Mas encontrei o que eu procurava!

O conceito de exercício intuitivo surge para nos fazer refletir sobre como estamos fazendo exercícios, ou ainda porque algumas pessoas nunca conseguiram se engajar numa prática regular. Para Paula Teixeira, educadora física, doutora em neurociências e comportamento pela USP e principal expoente brasileiro nesse assunto, o exercício intuitivo é o equilíbrio entre dois extremos: o exercício disfuncional (excessivo ou compulsivo) versus o sedentarismo. O exercício intuitivo é uma forma de buscar o equilíbrio entre corpo, mente e essência. Em sua página Exercício Intuitivo, ela conta que o conceito de Intuitive Exercise surgiu nos Estados Unidos em 2003 com bases nos princípios da Alimentação Intuitiva. De acordo com os estudos, pessoas que tem uma relação conturbada com a comida estão mais susceptíveis a praticar exercício de forma disfuncional, o que prejudica a saúde física, mental e espiritual. “É aí que está a importância de refletir sobre como você cuida do seu corpo: uma pausa se faz necessária para você dialogar com seu corpo e restabelecer sua conectividade com a mente. Observe-se e questione-se sobre a sua relação com os exercícios. Buscar o seu exercício intuitivo é permitir que exista na sua vida um espaço para você se realizar, se renovar, se reenergizar, se cuidar, para você ser”, elucida Doutora Paula.

Incomodada como eu estava, internalizei essa busca e acabei fazendo por repetidas vezes uma autoanálise muito profunda partindo desse tema que envolve ânimo, motivação, movimento, exercício, atividade física e esporte. Identifiquei muitas nuances que me movem na direção do exercício físico. Desvendei os fatores que realmente me motivam para escolher praticar um esporte e coloquei isso em destaque na minha estratégia de uma vida mais ativa. Descobri que no movimento quero encontrar liberdade e autonomia. Na atividade física busco terapia e consciência corporal. No esporte vislumbro encontrar aprendizado, transpor gentilmente meus limites, conquistar novas habilidades e viver ricas experiências. Tive mais clareza sobre o meu processo e descobri que a Natação também fazia sentido, aliás faz muito sentido para mim – instintivamente, emocionalmente e racionalmente. E foi assim que eu a escolhi como desafio de aprendizagem, terapia, atividade, fonte de saúde e bem estar. E foi assim que ela me acolheu como ser em construção que sou.

Há um ano eu comecei a nadar! Passei 35 anos e meio da minha vida sem experimentar a sensação de intimidade com a água em certa profundidade. Sentia-me refém da minha própria falta de habilidade e me privava de várias aventuras por temer não saber o que fazer. Eu fazia piada, mas no fundo era duro assumir para mim mesma o “eu não dou conta” como sentença. Nadar cachorrinho não dava a confiança nem a segurança necessárias para me lançar em maiores explorações e por isso haviam sensações desconhecidas para mim.

Eu trouxe essa história para vocês, porque nos primeiros dias desse ano eu pude experimentar uma dessas sensações inéditas. Eu senti a emoção de me ver nadando no mar, sem dar pé, sem história “de água no umbigo sinal de perigo”. Uma sensação ainda desconhecida para mim até aquele momento, o êxtase de nadar livre até um píer. O sol estava bem quente naquele dia, a água estava calma ao redor da ilha, o céu estava azulzinho, o vento soprava zunindo no meu ouvido e eu monitorava o balanço das ondas que arrebentava nas pedras.

Parece simplório demais para ser tema de um textão desse, não é?

Para mim também foi uma super surpresa que isso despertasse tanto poder, mas aconteceu. Foi muito marcante conseguir nadar aqueles 1000 metros ao lado do meu marido. Essa aventura rompeu minhas algemas, baixou minha guarda, bombou minha autoestima e alimentou a minha auto eficácia!

Encontrei minhas motivações intrínsecas e verdadeiras para decidir nadar. Escolhi nadar pelo gosto que eu tenho por aprender e pela possibilidade de explorar novas experiências e sensações. Encontrei ainda ótimas oportunidades – de um tempo de qualidade com a minha filha e de uma super parceria com o meu marido – e as tomei como motivações extrínsecas. Todos esses fatores fortalecem a minha vontade genuína de continuar e sustentam a minha mudança de comportamento.

Hoje meu treino já está em 1500 metros. Um ano depois de começar crua eu estou nadando 1500 metros em menos de uma hora!

Performance de iniciante, mas pra mim tem um valor enorme em termos de desenvolvimento pessoal. É a minha evolução! Cada pessoa tem seus valores, suas motivações, seu progresso, seu caminho e eu acredito muito na riqueza dessa diversidade. Meu parâmetro não é o resultado de ninguém além do meu, é o meu próprio ritmo que me leva a seguir. É o bem estar que eu sinto (e eu coloco mesmo meu foco atencional nisso para perceber e para sentir) quando estou nadando que faz com que eu não queira desistir. Ter o suporte de um educador físico faz toda a diferença nesse propósito, minha professora Fernanda Facirolli foi parte fundamental nessa empreitada e sem a orientação e a empatia dela, esse percurso não teria sido tão efetivo (Valeu demais Ferrrrr!).

Foi assim minha primeira jornada até um píer no mar, minha primeira aventura proporcionada pela natação como exercício intuitivo. E vou te dizer que foi muuuuito massa! Tanto que guardei esse caso para trazer para a coluna! Fiquei bem orgulhosa da minha atitude, senti coragem em ser imperfeita e me sinto muito grata por poder falar para vocês um pouco sobre exercício intuitivo através dessa história.

E você? O que você busca no movimento? Quais suas motivações internas para praticar atividade física? Você sente a diferença quando se exercita? O exercício que você pratica faz sentido para você?

Pensa aí e conta pra gente depois! Beijo grande!

Referências:

  • NUNES, Maiana Farias Oliveira. Funcionamento e desenvolvimento das crenças de auto-eficácia: uma revisão. bras. orientac. prof, São Paulo , v. 9, n. 1, p. 29-42, jun. 2008 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-33902008000100004&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 19 fev. 2019

  • http://exerciciointuitivo.com/conceito/. Acesso em 19 fev 2019.

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