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Intuitive-se


Dezembro já tá ai né gente! 2018 foi um ano tão intenso, não foi?!

Esse já é o terceiro artigo da coluna Leveza à Mesa! No primeiro texto falamos do PORQUE comemos, no segundo falamos do COMO comemos e agora no terceiro, seguindo uma certa lógica, falaremos do QUANDO e do QUANTO comer. Beleza?!

Falou em final de ano, o que é que vem na cabeça? Natal, Ano Novo, verão, férias, família, presentes e..... COMIDA!!!! Sim!!! Panetone, rabanada, frutas secas, nozes, pêssego, ameixa, uvas, pernil com abacaxi, chester, farofa, peru de Natal, lentilha, romã, arroz de forno, até biscoito champagne e assim vai...uh lalá rs – entre muitas outras coisas maravilhosas e memoráveis que ao longo da vida comemos nessa época.

Atualmente, o apelo e o acesso à comida durante as festas de fim de ano tem sido motivo de ansiedade para algumas pessoas. Temos o costume de celebrar essas datas com muita comida e bebida, nos reunir em torno de uma mesa com a família, celebrar, agradecer e cultivar a esperança com a abundância de uma mesa cheia de delícias. Entretanto, ultimamente parece que não temos nos sentido tão confortáveis com esse hábito cultural. Começamos a estremecer em setembro de medo da comilança de dezembro. Apavoramos, achamos que vamos comer demais, que somos reféns da comida, dessa forma falar em Natal e Ano Novo passa a ter um certo tom de preocupação. Você conhece alguém que está nessa pilha?

É importante nos perguntarmos qual é o motivo dessa dinâmica. É medo, vergonha, culpa?

De que? De comer em exagero? De ganhar peso? De colocar biquíni? De não caber na expectativa do outro? Por que será que nos sentimos assim? Por que sabotamos a alegria do apetite com o medo da perda de controle ao comer?

É uma mentalidade de restrição/privação/escassez que nos faz acreditar que podemos comer nas ceias e depois não poderemos mais? Será que rola um “só hoje” nos permitindo temporariamente comer quando, quanto e o que queremos, para depois voltarmos a obedecer regras externas que desconsideram as informações que vem de dentro?

Nossos comportamentos estão ligados às nossas crenças. O botão do “só hoje” nos faz querer aproveitar ao máximo essa chance de comer, e assim por vezes comemos muito. Esperado, você não acha?! Entretanto, quando nos alimentamos a partir desse comando, nos distanciamos dos nossos controles internos que nos guiam organicamente para o equilíbrio nutricional e corporal. Muitas vezes duvidamos da competência do nosso organismo. Nos desconectamos dos sinais internos do nosso próprio corpo, nos referenciamos em regras externas e agimos por emoção ou automatismos. Damos voz ao julgamento e negligenciamos essa escuta interna dos próprios instintos. Ouvimos a mentalidade de restrição e proibição alimentar, e essa, não raramente, culmina em exageros por compensação e excessos por compulsão.

Para cuidarmos da nossa alimentação precisamos considerar que fomos equipados naturalmente com uma autorregulação, que ela rege nossos processos e faz com que saibamos comer intuitivamente desde que nascemos. É crucial deixar de julgar os alimentos, buscar a real satisfação ao se alimentar e comer de acordo com os sinais do corpo (fome/saciedade). Portanto – SIM! - nós temos mecanismos que garantem as pistas necessárias sobre QUANDO e QUANTO comer e se estamos conectados a esses sinais, não precisamos temer a abundância de comida ou o exagero. Temos como referência para decidir o quanto comer, o grau de fome que estamos sentindo e não a quantidade de comida disponível.

As autoras do livro Intuitive Eating (TRIBOLE & RESCH, 2012), Alimentação Intuitiva em Português, nos trazem pilares importantes para um bom relacionamento com a comida. Elas destacam que devemos nos permitir comer com sintonia, que devemos comer por razões físicas atentando para as questões emocionais, que devemos ainda comer de acordo com as nossas sensações de fome e saciedade.

Assim, essa conexão harmoniza em nós uma cascata de fatores positivos. Se eu me permito comer com sintonia, eu me observo, eu tomo consciência dos meus comportamentos e das minhas preferências, eu entendo o meu funcionamento, eu tenho a curiosidade necessária para encontrar o meu equilíbrio. Eu me responsabilizo pelas minhas escolhas e eu me cuido com amor. Dessa forma eu ouço meus instintos, eu honro a minha fome e percebo minha saciedade, eu conheço meus limites e encontro satisfação na experiência de comer. Eu como quando estou com fome e paro de comer quando me sinto confortavelmente saciado. Eu vou entendendo a minha humanidade, tendo autocompaixão e tirando aprendizado das vezes que perco a mão. Assim eu percebo e avalio as minhas vontades, guardo com carinho minhas memórias afetivas, reconheço as multifunções do alimento, mas não uso a comida para mascarar sentimentos e emoções. Para encarar meu relacionamento com a comida eu uso a coragem de ser imperfeito, o valor da auto percepção, a clareza do autoconhecimento e o poder da atitude que me faz agir rumo às verdadeiras mudanças que preciso realizar na minha vida. Dessa forma eu me valho de conexão, de confiança e de amor para me conscientizar e cuidar. Assim eu colho equilíbrio, harmonia, coerência e autonomia.

É um processo e nem sempre é simples ou fácil! Mas nós somos capazes!! Capazes inclusive de pedir ajuda frente à mínima necessidade. Estamos juntos! É possível encontrar suporte para seguir no caminho da consciência e da intuição no relacionamento com a comida e com o mundo.

Quando comer? Experimente comer quando está com fome e observe!

Quanto comer? Experimente comer até se sentir confortavelmente saciado e observe!

Como experienciar esse controle fisiológico? Com atenção e curiosidade. A fome e a saciedade, não são súbitas, elas acontecem em diversos níveis (por exemplo em níveis de 0-5) e diversos sintomas no nosso corpo se manifestam quando a fome ou a saciedade se aproximam. Intuitivamente sabemos que a fome está chegando quando começamos a notar roncos do estômago, bocejos, falta de energia, olhos lacrimejantes, tontura, fraqueza, pensamentos urgentes em comida entre outros. A saciedade também chega de mansinho e para senti-la chegar é importante primeiramente ter consciência do nível de fome que estamos a honrar. É fundamental consagrar um tempo para comer com atenção, mastigar bem os alimentos, abrir os sentidos com curiosidade para todas as características da comida. Pausar a refeição algumas vezes e perceber a sensação de plenitude no estômago. É cultivar a permissão incondicional para se observar, se perceber, manter o foco atencional no ato de comer e nos efeitos integrais que o compreendem.

Você vai perceber que grande parte da satisfação depende da proporcionalidade entre fome e saciedade. Se a saciedade encontrada é muito maior ou muito menor que o nível de fome sentido antes da refeição, provavelmente a satisfação com essa experiência estará prejudicada. É importante viver esse experimento de si mesmo de forma dinâmica e compassiva, atento e confiante à competência dessa autorregulação. Indispensável também é entender que condições clínicas específicas (patologias e quadros clínicos descompensados) necessitam de avaliações e orientações também mais específicas.

Em suma, ninguém além de você é capaz de sentir a SUA fome e a SUA saciedade, então isso explica porque tenho falado tanto em conexão e atenção. Existe um grande expert em você! E essa pessoa não é ninguém antes de VOCÊ mesmo. Pode acreditar!

Agora que tal juntar a fome com a vontade de comer? Experimente! Treine honrar a sua fome e reconhecer a sua saciedade nesse fim de ano. Experimente escolher com atenção ao seu apetite os alimentos com os quais você honrará a sua fome e cuide para não atrapalhar a sua satisfação com essa experiência comendo além da sua saciedade. Eu acredito do fundo do meu coração que isso traz tranquilidade, respeito e muita alegria para esse momento de desfrute e partilha.

Desejo a vocês um Natal suculento e um Ano Novo riquíssimo em fibra! ;D

Gratidão e leveza!

E você? O que quer que tenha na sua mesa?

Referência: TRIBOLE, E; RESCH, E. Intuitive Eating. Nova York. St Martin’s Griffiin, 2012.

Pilares da Alimentação Intuitiva. Adaptado de Tibole & Resch, 2012

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